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A urticária é uma condição frequente, muitas vezes recorrente, e que pode impactar bastante a qualidade de vida. Pode ocorrer em crianças e adultos.
O diagnóstico da urticária é essencialmente clínico. Na imensa maioria dos casos, história + exame físico são suficientes, sem necessidade de muitos exames complementares extensos. Mas pode ser, de acordo com os sintomas do paciente, que haja necessidade de algum exame.
As lesões são muito típicas: pápulas/placas eritêmato-edematosas, bem delimitadas e muito pruriginosas. Às vezes pode ocorrer sensação de ardor. Essas lesões são evanescentes, ou seja, cada lesão dura < 24 horas e migram de local ao longo do dia, sem deixar descamação ou cicatriz. As lesões fixas >24h, dolorosas ou com púrpura remetem ao diagnóstico de urticária vasculite e precisam ser biopsiadas. As placas de urticária podem vir associadas a angioedema O angioedema é um inchaço súbito e transitório das camadas mais profundas da pele e/ou mucosas, causado pelo aumento da permeabilidade vascular. Os locais mais acometidos são: lábios, pálpebras, face, língua e até genitais. Essa situação precisa ser diferenciada da anafilaxia, pois pode colocar a vida do paciente em risco.
Existem vários tipos de urticária e elas podem ser assim classificadas
1. Quanto à duração
⦁ Urticária aguda: duração < 6 semanas. É a mais comum em crianças e geralmente associada a infecções (principalmente virais), medicamentos (AINEs- antiinflamatórios não esteroidais-, antibióticos, etc.), alimentos, látex, etc. Costuma ser autolimitada
⦁ Urticária crônica: duração ≥ 6 semanas, com lesões diárias ou quase diárias.
2. Quanto ao mecanismo, as urticárias podem ser:
⦁ Urticária Crônica Espontânea (UCE): surgimento sem fator desencadeante identificável, embora possa haver gatilhos para as pioras. Pode ser causada principalmente por dois mecanismos:
⦁ UCE autoalérgica (autoimune tipo I, “IgE autoimune”). Mecanismo: anticorpos IgE dirigidos contra autoantígenos do próprio paciente (ex.: TPO – tireoide, IL-24, etc.). Nesse caso, a IgE se liga a receptores FcεRI nos mastócitos → ativação → liberação de histamina.
Características clínicas: sem diferença evidente no exame físico, frequentemente associada a doenças autoimunes de base, como tireoidite autoimune, responde bem a anti-histamínicos e omalizumabe
⦁ UCE autoimune tipo IIb (autoanticorpos IgG). Mecanismo: presença de autoanticorpos IgG dirigidos contra receptor de IgE (FcεRI) ou contra a própria IgE. Esses anticorpos ativam mastócitos indiretamente, causando liberação de histamina
Características clínicas: geralmente doença mais grave e refratária, maior frequência de angioedema, resposta mais lenta a anti-histamínicos, pode ter associação com outras doenças autoimunes (tireoidite, lúpus, etc.)
Característica UCE autoalérgica (Tipo I) UCE autoimune
(Tipo IIb)
Anticorpo IgE contra autoantígeno IgG contra FcεRI ou IgE
Gravidade Leve a moderada Moderada a grave
Resposta a anti-H1 Boa Parcial
Resposta a omalizumabe Muito boa Boa, mas às vezes mais lenta
Associação com outras autoimunidades Sim (frequente) Mais comum e múltipla
⦁ Urticárias Crônicas Induzíveis (UCI): Desencadeadas por estímulos específicos e reprodutíveis.Principais tipos:
⦁ Dermografismo sintomático: Lesões após atrito ou pressão leve na pele
⦁ Urticária ao frio: Exposição ao frio, vento, água fria
⦁ Urticária colinérgica: Aumento da temperatura corporal, como exercício, estresse, banho quente
⦁ Urticária de pressão tardia: pressão prolongada (ombros, cintura, pés). Lesões são mais dolorosas, surgem horas depois da pressão
⦁ Urticária ao calor: exposição direta ao calor
⦁ Urticária solar: exposição à luz UV ou visível
⦁ Urticária aquagênica (rara): contato com água, independentemente da temperatura
⦁ Urticária vibratória (rara): exposição à vibração
3. Outras formas relacionadas
⦁ Angioedema isolado- no caso de associação à doença Urticária, esse angioedema é histaminérgico e geralmente vem acompanhado das placas de urticária, mas pode se manifestar de forma isolada.
TRATAMENTO
De acordo com as diretrizes internacionais mais recentes, baseadas principalmente nas diretrizes EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI, reconhecidas globalmente e mais recentemente referenciadas em 2025, o tratamento da Urticária é o seguinte:
Tratamento da Urticária Aguda
(Urticária com duração < 6 semanas) Objetivos
Redução rápida do prurido e das lesões e prevenir evolução para angioedema/anafilaxia quando oportuno
Recomendações baseadas em evidências
1. Anti-histamínicos H1 de 2ª geração
✔ Primeira linha em todos os casos sintomáticos
✔ Preferir sem sedação / menor efeito colateral (ex.: cetirizina, fexofenadina, desloratadina, levocetirizina) 2. Evitar anti-histamínicos de 1ª geração como rotina
3. Corticosteroides sistêmicos
✔ Podem ser usados em crises moderadas a graves, por curto período (ex.: 3-5 dias)
Não são recomendados como tratamento contínuo, especialmente em urticária crônica (vide abaixo). 4. Adrenalina (epinefrina)
✔ Somente se houver anafilaxia associada — urticária isolada não justifica seu uso.
Tratamento da Urticária Crônica
(Urticária com duração ≥ 6 semanas)
As diretrizes recomendam uma abordagem escalonada (step-up), com objetivos terapêuticos claros: controle total dos sintomas (ausência de urticas, coceira e inchaço).
1ª LinhaAnti-histamínico H1 de 2ª geração
Iniciar com dose padrão e uso diário regular – não apenas “quando surgir sintoma”.
2ª LinhaAumentar a dose do anti-histamínico
Até 4 vezes a dose padrão em pacientes que não obtêm controle com dose habitual.
Avaliar resposta após 2-4 semanas antes de mudar.
3ª LinhaOmalizumabe (anticorpo anti-IgE)
Recomendado para pacientes que não respondem ao aumento da dose do anti-histamínico.
Dose típica: 300 mg por via subcutânea a cada 4 semanas, mas pode ser aumentado se necessário
4ª LinhaCiclosporina A
Opção em pacientes refratários ao tratamento acima.
Exige monitorização de efeitos colaterais.
Recomendações Importantes
❌ Corticosteroides sistêmicosNão são recomendados como tratamento contínuo para urticária crônica.
Podem ser usados pontualmente em exacerbações graves, mas não devem substituir o escalonamento adequado da terapia.
Avaliação da eficácia
As diretrizes recomendam medir a atividade e o controle usando ferramentas validadas, como:
⦁ UAS7 (Urticaria Activity Score 7 dias)
⦁ UCT (Urticaria Control Test)
Essas ferramentas ajudam a monitorar resposta e ajustar o tratamento.
Observações Gerais Baseadas nas DiretrizesIdentificação de desencadeantes
⦁ Sempre tentar identificar e remover gatilhos (medicamentos, infecções, alimentos, etc.).
Avaliação diagnóstica
⦁ Exames extensivos não são recomendados rotineiramente na UCE; foco inicial em história clínica e avaliação clínica.
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Dra. Elaine Gagete Miranda da Silva CRM 50.628 / RQE 57521
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Detalhes do produto
A urticária é uma condição frequente, muitas vezes recorrente, e que pode impactar bastante a qualidade de vida. Pode ocorrer em crianças e adultos.
O diagnóstico da urticária é essencialmente clínico. Na imensa maioria dos casos, história + exame físico são suficientes, sem necessidade de muitos exames complementares extensos. Mas pode ser, de acordo com os sintomas do paciente, que haja necessidade de algum exame.
As lesões são muito típicas: pápulas/placas eritêmato-edematosas, bem delimitadas e muito pruriginosas. Às vezes pode ocorrer sensação de ardor. Essas lesões são evanescentes, ou seja, cada lesão dura < 24 horas e migram de local ao longo do dia, sem deixar descamação ou cicatriz. As lesões fixas >24h, dolorosas ou com púrpura remetem ao diagnóstico de urticária vasculite e precisam ser biopsiadas. As placas de urticária podem vir associadas a angioedema O angioedema é um inchaço súbito e transitório das camadas mais profundas da pele e/ou mucosas, causado pelo aumento da permeabilidade vascular. Os locais mais acometidos são: lábios, pálpebras, face, língua e até genitais. Essa situação precisa ser diferenciada da anafilaxia, pois pode colocar a vida do paciente em risco.
Existem vários tipos de urticária e elas podem ser assim classificadas
1. Quanto à duração
⦁ Urticária aguda: duração < 6 semanas. É a mais comum em crianças e geralmente associada a infecções (principalmente virais), medicamentos (AINEs- antiinflamatórios não esteroidais-, antibióticos, etc.), alimentos, látex, etc. Costuma ser autolimitada
⦁ Urticária crônica: duração ≥ 6 semanas, com lesões diárias ou quase diárias.
2. Quanto ao mecanismo, as urticárias podem ser:
⦁ Urticária Crônica Espontânea (UCE): surgimento sem fator desencadeante identificável, embora possa haver gatilhos para as pioras. Pode ser causada principalmente por dois mecanismos:
⦁ UCE autoalérgica (autoimune tipo I, “IgE autoimune”). Mecanismo: anticorpos IgE dirigidos contra autoantígenos do próprio paciente (ex.: TPO – tireoide, IL-24, etc.). Nesse caso, a IgE se liga a receptores FcεRI nos mastócitos → ativação → liberação de histamina.
Características clínicas: sem diferença evidente no exame físico, frequentemente associada a doenças autoimunes de base, como tireoidite autoimune, responde bem a anti-histamínicos e omalizumabe
⦁ UCE autoimune tipo IIb (autoanticorpos IgG). Mecanismo: presença de autoanticorpos IgG dirigidos contra receptor de IgE (FcεRI) ou contra a própria IgE. Esses anticorpos ativam mastócitos indiretamente, causando liberação de histamina
Características clínicas: geralmente doença mais grave e refratária, maior frequência de angioedema, resposta mais lenta a anti-histamínicos, pode ter associação com outras doenças autoimunes (tireoidite, lúpus, etc.)
Característica UCE autoalérgica (Tipo I) UCE autoimune
(Tipo IIb)
Anticorpo IgE contra autoantígeno IgG contra FcεRI ou IgE
Gravidade Leve a moderada Moderada a grave
Resposta a anti-H1 Boa Parcial
Resposta a omalizumabe Muito boa Boa, mas às vezes mais lenta
Associação com outras autoimunidades Sim (frequente) Mais comum e múltipla
⦁ Urticárias Crônicas Induzíveis (UCI): Desencadeadas por estímulos específicos e reprodutíveis.Principais tipos:
⦁ Dermografismo sintomático: Lesões após atrito ou pressão leve na pele
⦁ Urticária ao frio: Exposição ao frio, vento, água fria
⦁ Urticária colinérgica: Aumento da temperatura corporal, como exercício, estresse, banho quente
⦁ Urticária de pressão tardia: pressão prolongada (ombros, cintura, pés). Lesões são mais dolorosas, surgem horas depois da pressão
⦁ Urticária ao calor: exposição direta ao calor
⦁ Urticária solar: exposição à luz UV ou visível
⦁ Urticária aquagênica (rara): contato com água, independentemente da temperatura
⦁ Urticária vibratória (rara): exposição à vibração
3. Outras formas relacionadas
⦁ Angioedema isolado- no caso de associação à doença Urticária, esse angioedema é histaminérgico e geralmente vem acompanhado das placas de urticária, mas pode se manifestar de forma isolada.
TRATAMENTO
De acordo com as diretrizes internacionais mais recentes, baseadas principalmente nas diretrizes EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI, reconhecidas globalmente e mais recentemente referenciadas em 2025, o tratamento da Urticária é o seguinte:
Tratamento da Urticária Aguda
(Urticária com duração < 6 semanas) Objetivos
Redução rápida do prurido e das lesões e prevenir evolução para angioedema/anafilaxia quando oportuno
Recomendações baseadas em evidências
1. Anti-histamínicos H1 de 2ª geração
✔ Primeira linha em todos os casos sintomáticos
✔ Preferir sem sedação / menor efeito colateral (ex.: cetirizina, fexofenadina, desloratadina, levocetirizina) 2. Evitar anti-histamínicos de 1ª geração como rotina
3. Corticosteroides sistêmicos
✔ Podem ser usados em crises moderadas a graves, por curto período (ex.: 3-5 dias)
Não são recomendados como tratamento contínuo, especialmente em urticária crônica (vide abaixo). 4. Adrenalina (epinefrina)
✔ Somente se houver anafilaxia associada — urticária isolada não justifica seu uso.
Tratamento da Urticária Crônica
(Urticária com duração ≥ 6 semanas)
As diretrizes recomendam uma abordagem escalonada (step-up), com objetivos terapêuticos claros: controle total dos sintomas (ausência de urticas, coceira e inchaço).
1ª LinhaAnti-histamínico H1 de 2ª geração
Iniciar com dose padrão e uso diário regular – não apenas “quando surgir sintoma”.
2ª LinhaAumentar a dose do anti-histamínico
Até 4 vezes a dose padrão em pacientes que não obtêm controle com dose habitual.
Avaliar resposta após 2-4 semanas antes de mudar.
3ª LinhaOmalizumabe (anticorpo anti-IgE)
Recomendado para pacientes que não respondem ao aumento da dose do anti-histamínico.
Dose típica: 300 mg por via subcutânea a cada 4 semanas, mas pode ser aumentado se necessário
4ª LinhaCiclosporina A
Opção em pacientes refratários ao tratamento acima.
Exige monitorização de efeitos colaterais.
Recomendações Importantes
❌ Corticosteroides sistêmicosNão são recomendados como tratamento contínuo para urticária crônica.
Podem ser usados pontualmente em exacerbações graves, mas não devem substituir o escalonamento adequado da terapia.
Avaliação da eficácia
As diretrizes recomendam medir a atividade e o controle usando ferramentas validadas, como:
⦁ UAS7 (Urticaria Activity Score 7 dias)
⦁ UCT (Urticaria Control Test)
Essas ferramentas ajudam a monitorar resposta e ajustar o tratamento.
Observações Gerais Baseadas nas DiretrizesIdentificação de desencadeantes
⦁ Sempre tentar identificar e remover gatilhos (medicamentos, infecções, alimentos, etc.).
Avaliação diagnóstica
⦁ Exames extensivos não são recomendados rotineiramente na UCE; foco inicial em história clínica e avaliação clínica.