DESCUBRA DETALHES, DESPERTE SEUS SENTIDOS
De Pardinho para o mundo, uma bela história de empreendedorismo comunitário.
Descrição:
Você já passou pelo posto Graal Maristela? Aqui você encontra uma graciosa capela construída pela comunidade em torno, judiada pelo vandalismo e que, agora, ressurge resgatando décadas de intensas e divertidas histórias. Localizada no bairro Maristela, nas dependências do Posto Graal Maristela, a capela erguida na década de setenta, foi cenário importante na vida da comunidade. Ela tem uma longa escadaria que dá acesso ao seu interior preparado para os devotos de Nossa Senhora Aparecida. Cada detalhe foi construído pela própria comunidade guardando muitas histórias. Sofreu várias invasões, sendo fechada ao público em 2016, e agora a nova direção do posto pretende reabri-la e reconstruí-la com a comunidade, conferindo–a ao status de ponto turístico.
História:
“Erguida no alto da escadaria resiste às intempéries do tempo tal qual a fé”.
Contam que um dos impulsos para sua construção, ocorreu por volta de 1974, com a crença de que havia uma indenização pela derrubada da igreja do bairro, na época da instalação do Linhão da CPFL. Representantes da comunidade foram atrás, mas não obtiveram sucesso, nascendo a iniciativa de arregaçar as mangas e colocar a mão na massa para erguer a Capela Nossa Senhora Aparecida.
Situada no que podemos nomear de Centro Histórico de Pardinho, onde se desenvolveu a primeira comunidade originária do pardinhense, a antiga comarca do Espírito Santo do Rio Pardo, na região do Campos do Espraiadinho, antes mesmo da elevação de Pardinho à distrito de Botucatu. O conhecido Brecha da padaria, relata que era o cabeça e que puxava a "canga toda" de um grupo de mais uns oito cabeças. Entre eles: Amarildo e seus pais D. Teresa e seu esposo (donos do espaço que deram o impulso financeiro inicial), seu filho Ivan que na época tinha só uma carreta, o Zé Mauro, o Bastião, o Zé Açougueiro, mais uns amigos e uma ajuda do João Marigo que doou a madeira da sua própria fazenda para o telhado, mobilizando os demais para arrecadar as prendas para as animadas e prósperas festas que financaram os multirões de construção.

Segundo o Brecha construíram rapidinho, em dois anos apenas, pois o povo era muito unido e colaboravam nas prendas e ainda comprando nas festas. Ele conta que suas filhas eram pequenas quando começou a construção e comenta que a música Cidadão do Zé Ramalho ilustra sua relação atual com a capela:
“...Tá vendo aquela igreja, moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também…”
Ele conta que até o sino daquela igreja, tem história dele pra contar. Ganhado de uma antiga igreja desativada no terreno dos Padovan, no fundo dos Bergamini, tinha uma velha senhora que quase matou eles. Ela era muito brava e assustou o rapaz que estava com ele, que saiu correndo e acabou fazendo um enorme furo nas pernas, que ele tem a marca até hoje
Brecha guarda sua caderneta de anotações daquela época e relata que era tudo muito organizado e sério, muito direitinho. “Até as mulheres dos festeiros quando sentavam pra comer também pagavam“. Conta que depois que passava a festa estando tudo pago, faziam um churrasco para os organizadores e o restante ficava para a construção. O forro do barracão foi feito depois do trabalho, o grupo ia chegando conforme o trabalho fixo deles e ia terminando, porque naquela época não tinha horário de sair, o trabalho terminava somente quando toda a demanda era cumprida.
Mari, filha do Brecha, conta que antigamente, a Vila do Maristela, era a coisa mais gostosa, só família, era todo mundo unido e contava com alegria das festas destacando “as julinas” e as procissões. Dentro dos momentos marcantes, se fosse destacar um, Brecha e a esposa destacariam a primeira comunhão das crianças da comunidade, eram momentos muito especiais e todos seus filhos passaram por este ritual. Por mais de trinta anos a capela foi o ponto de confraternização dos principais momentos das famílias que ali residiam.

Depois que a comunidade foi perdendo seu espaço, a capela foi sendo palco das campanhas políticas e o povo foi se afastando, mudando, e a capela se transformando. O forro de madeira, que era envernizado na época da D. Gislaine foi pintado de branco, as imagens originais foram sendo saqueadas, até as imagens dos santos. A imagem da Nossa Senhora que foi comprada na Aparecida do Norte, os castiçais, o São José que era uma destas peças antigas segundo o Brecha não sobrou nada, só o sino porque é muito pesado e está no alto.
Hoje a capela, do lado da comunidade, tem dois portões para chegar que permanecem fechados, sobrando só a escadaria para entrar. O posto mantém a porta da capela fechada, depois da última invasão que destruiu tudo e a partir deste projeto para restaurar e reabrir com a comunidade, tanto a capela, quanto o barracão onde aconteciam as festas.
Curiosidades:
Há uns trinta anos atrás, o Brecha trouxe para cantar o Pedro Bento e Zé da Estrada, com a cara e a coragem pois não tinha “um puto veio”, o barracão só tinha começado,não tinha nem piso, só o forro no teto. Ele montou um palco e tudo que era “caboclo de serra” foi aparecendo O show correu solto enquanto no barracão se juntava o dinheiro, quando o show acabou jel á tinha cinco mil reais daquela época.
Se tinha o ritual de fazer um bolo quilométrico para os festejos de comemoração do feriado de Nossa Senhora Aparecida, num destes se resolveu desenhar a Nossa senhora, e naquela época não era como agora que é só adesivar, era feito na raça, tinha que fazer traço por traço e na hora de cortar, o povo ficou com dó e ninguém queria desmanchar.
A família ainda tem a mesa de madeira onde eram feitos e servidos estes bolos, ela já está na familia a nais de 50 anos.
Na construção do barracão de festas, Brecha conta que eles tinham um encontro marcado para “martelar o dedão” e que tinha um barril de pinga para anestesiar as longas horas de trabalho.
Nas festas julinas, que não tinham uma data certa, pois a comunidade esperava não ter outra festa competindo com a data, Mari relata que seu pai só aprontava, colocando galinhas dentro da mala pra abrir na hora do casamento e elas saiam caquerejando, talco no livro para quando bater as páginas voar pó, era só risada. Ele era tão querido que ganhou uma batina velha do padre para realizar os casamentos e puxar a quadrilha.
Havia uma vizinha, a D. Corina que fazia as roupas para a coroação para as missas, vestindo as crianças de anjo.
Para as procissões, eles chegavam até duas, três horas da manhã fazendo o andor, e se estivesse chovendo, não tinha problema, eles pegavam o caminhão, colocavam todo mundo dentro e seguiam a procissão.
Segundo a Mari, as festas que tinham eram de arrasar, nas festas julinas os homens se vestiam de mulher e as mulheres de homem e era pura gozação! Viviam inventando um motivo novo para mais uma festa, tipo o baile da bota que todos tinham que ir com uma bota, era o maior desfile.
Para saber mais:
https://descubrapardinho.com
Aonde encontrar:
https://www.redegraal.com.br/unidade/graal_maristela
PROJETO DESCUBRA DETALHES – PARCERIA: SOLUTUDO & ANDEL PARDINHO
Supervisão local: Bioatelie Sylviah Riouls
Supervisão Solutudo: Raphael Riello
Última atualização fevereiro de 2022

